Integridade e confiabilidade dos dados

Há pouco tempo, os computadores que existiam não possuíam monitores e teclados para digitação dos dados. Eram máquinas de processamento e só recentemente ganharam a capacidade de multitarefa e multiprocessamento. Os dados eram alimentados através de cartões perfurados e posteriormente por disquetes. Existia a função de digitador nos centros de processamento de dados da época. E era regra a função de digitador ser a que mais tinha funcionários. Os dados eram planilhados, digitados, conferidos e passavam por algumas verificações. Só então eram processados.

Figura 1: integridade, confidenciabilidade, autenticidade e disponibilidade.

Hoje, os computadores e os dados vão diretamente ao usuário final — o que praticamente extinguiu a função de digitador. Mesmo estes dados estando sob o controle do usuário final, que é o especialista neles e que informa os sistemas diretamente da sua mesa de trabalho através de telas amigáveis, o analista responsável pelo sistema deve preocupar-se com a integridade e com a confiabilidade dos dados que o operador informa — sejam eles planilhados ou não.

Algumas verificações que eram feitas desde a época dos primeiros mainframes são válidas até hoje para alguns tipos de informações no momento da digitação. Se forem planilhados, a necessidade da verificação aumenta. Vamos à elas!

 

1. Dígito verificador

O dígito verificador é um caractere (pode ser alfabético) que é obtido através de operação matemática bem definida. Quando utilizado na aplicação, o sistema calcula o dígito e compara com o dígito verificador digitado. Os mais utilizados são os chamados dígitos módulo 10 e o módulo 11 (Google: dígito módulo 10 11 para ver como é calculado). Os dois últimos números do CNPJ e também do CPF são dígitos de verificação. Em aplicações que pedem a digitação dos códigos (IDs) é comum utilizar 1 (um) dígito verificador.

 

2. Crítica

Crítica dos dados significa verificar se o dado existe onde deve existir e se ele é coerente.

 

Exemplos de boas práticas:

Verificar se a data da emissão existe e se é menor ou igual a hoje.
 A aplicação utiliza as classes sociais A, B, C, D e E. Verificar se a informação da classe social existe e se o que foi digitado faz parte das classes sociais permitidas.

 

3. Fechamento

Em telas onde há digitação de números a aplicação pode efetuar somas para confirmar a veracidade da informação. Tais somas podem ou não ter algum sentido.

 

Exemplos de boas práticas:

Somar os valores digitados na tela de liquidação de título a receber e verificar se confere com o valor do total também digitado. Neste caso, é comum operadores pedirem para calcular o total ao invés de digitar porque buscam agilidade, mas a digitação do total é feita justamente para ser feito um fechamento.

Somar o dia, o mês e o ano de uma data informada com o código do produto. Esta é chamada uma soma burra porque o resultado não possui utilidade, exceto para efeito de fechamento. O resultado da soma é conferido com um valor também digitado. Muito utilizado em dados planilhados para digitação.

 

O fechamento pode ser horizontal — soma dados da linha da planilha — ou vertical — soma dados da coluna da planilha.

 

4. Consistência

Verifica se os dados informados são consistentes com o sistema. Esta é a única que exige a disponibilidade dos cadastros do sistema.

 

Exemplos de boas práticas:

Verificar se o código do fornecedor digitado pertence a um fornecedor conhecido pelo sistema.
Verificar se o código do item digitado pertence a algum item cadastrado no sistema.
Verificar se o cliente possui crédito suficiente para o financiamento.

 

5. Finalizando

Operações que garantam a integridade e a confiabilidade dos dados é fundamental para o sucesso da aplicação. Acredite sempre que os dados podem ser digitados com erro mesmo pelo operador especialista neles. Nunca deixe de verificar. As verificações podem ser feitas na tela de digitação oferecida ao operador ou diretamente pelo banco de dados através de triggers.

 

Vamos pois, verificar!

Sobre o Autor

Engenheiro mecânico por formação, pós graduado em Administração de Empresas pela COPPEAD-UFU, apaixonado por tecnologia desde quando tal palavra não fazia significado algum. DBA de extrema capacidade e objetividade; programador Delphi de carteirinha — Python aos finais de semana. Professor nato, já ministrou aulas em colegiais, cursinhos e na Universidade Federal de Uberlândia. Fundador da T2 Tecnologia, empresa catanduvense que atua no ramo da automação comercial. Fã do Guga, do Ayrton Senna e de uma boa conversa.